Calderano fica com o vice em Ljubljana, mas confirma força em mais uma semana de elite no circuito mundial
Brasileiro chegou à final do WTT Star Contender Ljubljana 2026 após campanha sólida na Eslovênia, venceu jogos duros contra nomes da África, Ásia e Europa, mas parou no japonês Shunsuke Togami em decisão de sete sets.
Hugo Calderano voltou a ser protagonista no circuito internacional de tênis de mesa. Na última semana, o brasileiro disputou o WTT Star Contender Ljubljana 2026, na Eslovênia, torneio realizado entre 16 e 21 de junho, e encerrou sua participação com o vice-campeonato na chave de simples masculina. O resultado não veio com o título que ele buscava, mas confirmou algo que já virou rotina: quando Calderano entra em um torneio WTT, ele carrega o Brasil para as fases decisivas.
O desfecho foi dramático. Na final, disputada no domingo, dia 21, Calderano enfrentou o japonês Shunsuke Togami e perdeu por 4 sets a 3, com parciais de 7/11, 12/10, 11/8, 4/11, 11/5, 7/11 e 11/7. A partida durou 1h05 e colocou frente a frente dois atletas de estilos intensos, com momentos de domínio alternado e decisão apenas no sétimo set.
O peso do torneio para Calderano
Ljubljana tinha um significado especial para Hugo. O brasileiro havia sido campeão do torneio em 2024 e 2025, portanto chegou à Eslovênia tentando o tricampeonato. A campanha terminou com prata, mas manteve uma sequência importante de resultados expressivos em 2026, temporada em que Calderano já havia conquistado a Copa do Mundo e seguido como um dos nomes mais fortes do circuito mundial.
O torneio também serviu como uma espécie de termômetro competitivo. Calderano enfrentou adversários de diferentes escolas do tênis de mesa mundial: o egípcio Omar Assar, o indiano Manush Shah, o chinês Xiang Peng, o francês Simon Gauzy e, na decisão, o japonês Shunsuke Togami. Essa sequência mostra o nível de exigência do WTT atual, onde cada rodada obriga o atleta a ajustar leitura de saque, ritmo de troca, variação de efeito e tomada de decisão em cenários muito diferentes.
A campanha rodada a rodada
Calderano estreou no simples masculino contra Omar Assar, do Egito, e começou com autoridade. Venceu por 3 sets a 0, com parciais de 11/8, 11/6 e 11/5. Foi uma estreia importante não apenas pelo placar, mas pela forma como o brasileiro entrou no torneio: direto, seguro e sem permitir que um adversário experiente levasse o jogo para um ambiente emocional mais perigoso.
Nas oitavas de final, veio um teste mais incômodo. Contra o indiano Manush Shah, Calderano precisou buscar soluções em uma partida de cinco sets. O brasileiro venceu por 3 a 2, com parciais de 10/12, 11/8, 7/11, 11/7 e 11/6. O jogo mostrou resiliência, porque Hugo esteve atrás duas vezes no placar de sets e ainda assim conseguiu controlar os dois últimos games para avançar.
Nas quartas de final, o desafio foi contra o chinês Xiang Peng, sempre um tipo de confronto que carrega peso técnico e simbólico. Calderano venceu por 3 sets a 1, com parciais de 12/10, 11/8, 4/11 e 11/9. A vitória teve valor alto, porque veio contra um atleta de escola chinesa e com três sets decididos em margens curtas. Mesmo perdendo a terceira parcial de forma elástica, Hugo retomou o controle no quarto set e fechou a partida.
Na semifinal, o brasileiro enfrentou o francês Simon Gauzy, adversário conhecido, experiente e capaz de variar muito o jogo. Calderano venceu por 3 sets a 2, com parciais de 11/7, 11/9, 8/11, 7/11 e 12/10. Foi talvez o jogo mais emocional da campanha antes da final. Hugo abriu 2 a 0, viu Gauzy empatar e precisou decidir no limite, em um quinto set que terminou apenas no 12/10.
A final contra Togami
A decisão contra Shunsuke Togami teve roteiro de alto nível. Calderano começou bem e venceu o primeiro set por 11/7. Togami respondeu em dois sets apertados, fazendo 12/10 e 11/8, virando o jogo para 2 a 1. Hugo reagiu de forma dominante no quarto set, vencendo por 11/4, mas o japonês voltou a se impor no quinto, com 11/5. No sexto set, Calderano mostrou força mental e levou por 11/7, empurrando a final para a parcial decisiva. No sétimo set, Togami foi mais preciso nos momentos finais e fechou em 11/7.
A leitura do placar mostra uma final de alternância. Calderano teve momentos de controle claro, principalmente no primeiro, quarto e sexto sets. Togami, por outro lado, foi eficiente em sets de resposta, especialmente quando conseguiu vencer duas parciais consecutivas depois de perder a abertura. O detalhe competitivo ficou nos sets intermediários: o 12/10 do segundo set foi um ponto de virada importante, porque impediu Hugo de abrir 2 a 0 e mudou a pressão psicológica da partida.
O que o vice representa
O vice-campeonato não deve ser lido como tropeço. Pelo contrário, é mais uma confirmação de consistência. Calderano chegou à final depois de vencer quatro jogos, sendo dois deles em cinco sets. Em um circuito cada vez mais equilibrado, alcançar decisão de WTT Star Contender significa somar pontos, exposição internacional, ritmo competitivo e autoridade esportiva para seguir entre os principais nomes da temporada.
Para o tênis de mesa brasileiro, a campanha tem um valor ainda maior. Calderano já ultrapassou há muito tempo a condição de “brasileiro que compete bem lá fora”. Ele é, hoje, um atleta que entra em torneios internacionais com expectativa real de título. Isso muda a forma como o Brasil é percebido no esporte. Cada semifinal, final e pódio do Hugo amplia a régua do que é possível para a modalidade no país.
Participação nas duplas mistas com Bruna Takahashi
Além da chave de simples, Calderano também disputou as duplas mistas ao lado de Bruna Takahashi. A dupla brasileira estreou com vitória sobre Koen Pang e Jian Zeng, de Singapura, por 3 sets a 1, com parciais de 9/11, 11/5, 12/10 e 11/7. Nas quartas de final, Hugo e Bruna foram superados pelos alemães Dang Qiu e Sabine Winter por 3 sets a 1, com parciais de 11/7, 11/7, 6/11 e 11/8.
Mesmo sem pódio nas mistas em Ljubljana, a presença da dupla continua relevante dentro da narrativa do Brasil no circuito. Hugo e Bruna formam uma parceria que já entregou resultados históricos em 2026, e cada torneio ajuda a amadurecer padrões de jogo, comunicação, posicionamento e leitura conjunta contra duplas de escolas diferentes.
Bruna também representou o Brasil no simples
A campanha brasileira na Eslovênia também teve Bruna Takahashi na chave de simples feminina. Ela avançou na estreia contra a romena Andreea Dragoman, vencendo por 3 sets a 0, mas parou nas oitavas de final diante da japonesa Miwa Harimoto, cabeça de chave número 1 do torneio, em derrota por 3 sets a 1. O jogo teve parciais de 13/11, 11/13, 11/7 e 11/8, mostrando equilíbrio especialmente nos dois primeiros sets.
Uma semana que reforça o momento de Hugo
O WTT Star Contender Ljubljana terminou sem o tricampeonato, mas com uma mensagem clara: Calderano segue no bloco dos atletas capazes de decidir torneios grandes. Ele venceu jogos de pressão, superou adversários de estilos variados, levou o Brasil a mais uma final internacional e caiu apenas em uma decisão de sete sets.
Para uma modalidade que ainda busca mais visibilidade no Brasil, esse tipo de campanha precisa ser tratado como ativo estratégico. Hugo não é apenas um atleta de elite, ele é uma vitrine para o tênis de mesa nacional. Sua presença em finais do WTT ajuda a vender o esporte para novos praticantes, atrair marcas, inspirar jovens atletas e fortalecer eventos que estão chegando ao país, como o WTT Star Contender São José dos Campos 2026, marcado para julho no Vale Sul Shopping.
O vice em Ljubljana, portanto, não fecha uma história com gosto de frustração. Ele amplia a narrativa de consistência. Calderano segue competitivo, relevante e presente nas grandes semanas do circuito mundial. Para o Brasil, isso significa mais do que uma medalha de prata. Significa continuar ocupando espaço no centro do tênis de mesa internacional.



