Doha abriu a temporada 2026 do circuito mundial com um recado claro, a primeira grande semana do ano já mudou hierarquias no topo e colocou novos nomes, e velhos campeões, de volta ao centro da conversa. Entre 7 e 11 de janeiro, a Lusail Sports Arena recebeu o WTT Champions Doha, torneio de alto prestígio com premiação total de US$ 500 mil, e coroou Lin Yun Ju e Zhu Yuling como os primeiros campeões do ano.
Lin Yun Ju, uma final sem frestas e o fim da espera
No masculino, Lin Yun Ju foi cirúrgico. O taiwanês venceu a decisão por 4 a 0 sobre o sul coreano Jang Woojin, com parciais de 11-7, 11-9, 11-9 e 13-11, e transformou a final em um exercício de controle, pouca margem de erro, aceleração na hora certa e leitura impecável das variações de ritmo do rival.
O título também carrega um peso simbólico. Segundo a imprensa de Taiwan, Lin encerrou uma sequência longa sem levantar um troféu relevante de simples, e fez isso em Doha com um desempenho que misturou paciência nos ralis, segurança no saque e agressividade calculada na primeira bola mais curta.
Do outro lado, Jang chegou à decisão depois de derrubar “pesos pesados” ao longo da chave e, principalmente, por ter superado Lin Shidong na semifinal, em uma campanha que colocou a Coreia do Sul no jogo grande logo no primeiro evento do ano.
Zhu Yuling, o roteiro do retorno vira título
Se a final masculina foi direta, a feminina foi narrativa. Zhu Yuling venceu Chen Xingtong por 4 a 2, em uma partida cheia de oscilações e ajustes táticos. As parciais registradas foram 5-11, 13-11, 3-11, 11-7, 11-8 e 13-11, uma sequência que mostra o jogo “quebrando” e sendo reconstruído set a set.
A conquista é tratada como marco de retorno, após um período prolongado longe do cenário internacional. O Comitê Olímpico do Catar descreve o título como mais um capítulo de uma volta “inspiradora”, citando inclusive quatro anos de ausência de competições internacionais antes de Zhu voltar a competir no mais alto nível.
A grande imagem do torneio, Doha não foi só final
O WTT Champions costuma ser o palco onde o “topo do topo” se encontra cedo no ano, e Doha teve o tempero clássico do circuito moderno, favoritos pressionados desde a estreia, chaves curtas e jogos de altíssima densidade. O exemplo mais claro veio com Ying Han, que derrubou a cabeça de chave número 1, Wang Manyu, em um thriller de sete sets, resultado que virou manchete local e reposicionou o torneio feminino em tempo real.
No saldo, Doha entregou um começo de temporada com duas mensagens fortes. A primeira é competitiva, a distância entre “elite” e “super elite” está menor, e qualquer distração custa caro. A segunda é estratégica, Lin e Zhu saem como os primeiros termômetros do ano, e já levam pressão e moral para a sequência do calendário no Oriente Médio e na Ásia.



