Parque Villa-Lobos recebe edição histórica do Campeonato Brasileiro de Pickleball 2026
Com mais de 2.200 inscrições divulgadas, atletas de 24 estados e sete países, Brasileirão reforça a expansão da modalidade e marca uma nova fase competitiva do pickleball no Brasil
O pickleball brasileiro viveu um dos capítulos mais importantes de sua história recente entre os dias 4 e 7 de junho de 2026. Durante quatro dias, o Parque Villa-Lobos, em São Paulo, foi transformado em uma grande arena esportiva para receber o Campeonato Brasileiro de Pickleball 2026, competição organizada pela Confederação Brasileira de Pickleball, a CBP, e considerada o maior encontro da modalidade já realizado no país.
Mais do que um torneio nacional, o evento foi uma demonstração concreta do crescimento do pickleball no Brasil. Em uma das áreas públicas mais conhecidas da capital paulista, atletas de diferentes regiões, idades, níveis técnicos e trajetórias se reuniram para disputar títulos nacionais, somar pontos no ranking, fortalecer clubes e, em algumas categorias, entrar no radar da Seleção Brasileira para o Mundial de Pickleball, marcado para Da Nang, no Vietnã.
A edição de 2026 teve um peso simbólico especial. O pickleball, que nos últimos anos cresceu em clubes, arenas, condomínios, escolas e centros esportivos, chegou ao Villa-Lobos com dimensão de grande evento. A escolha do parque colocou a modalidade em contato direto com o público urbano, com famílias, curiosos, praticantes iniciantes e atletas de alto rendimento dividindo o mesmo ambiente.
Um Brasileirão com cara de virada de chave
O Campeonato Brasileiro de Pickleball 2026 foi realizado em um momento decisivo para a modalidade. Se antes o esporte ainda era visto por muita gente como novidade, a edição sediada no Villa-Lobos mostrou que o pickleball já ocupa um espaço real no calendário esportivo nacional.
A competição reuniu atletas de 24 estados brasileiros e contou também com representantes internacionais, com participantes de sete países. As divulgações públicas do evento apontaram mais de 2.200 inscrições, número que coloca o torneio em um patamar expressivo não apenas para o Brasil, mas também para o cenário latino-americano da modalidade.
O painel público do Pickleball Integrado, sistema usado para inscrições e organização competitiva, registrava 73 categorias cadastradas, envolvendo disputas de simples, duplas masculinas, duplas femininas, duplas mistas, categorias por faixa etária, categorias por nível técnico, base, PRO, masters e cadeirantes. Essa amplitude mostra uma das principais forças do pickleball: a capacidade de receber atletas iniciantes e competidores de elite dentro de uma mesma estrutura.
O evento também teve direção e arbitragem identificadas no sistema oficial, com Rodolfo Galego e Roger Valmorbida vinculados à condução do campeonato. Esse tipo de organização é essencial para o amadurecimento competitivo do esporte, especialmente em uma modalidade que cresce rapidamente e precisa consolidar padrões técnicos, rankings e critérios de disputa.
O Villa-Lobos como vitrine do pickleball nacional
A sede teve papel importante na construção do impacto do campeonato. O Parque Villa-Lobos, localizado no Alto de Pinheiros, em São Paulo, é um dos espaços públicos mais conhecidos da cidade e recebe diariamente pessoas interessadas em esporte, lazer, cultura e convivência ao ar livre.
Levar o Brasileirão para esse ambiente foi uma decisão estratégica. Em vez de restringir o torneio a uma arena fechada ou a um clube frequentado apenas por praticantes, o evento colocou o pickleball no fluxo natural da cidade. Quem passou pelo parque durante o feriado pôde ver a movimentação das quadras, acompanhar partidas, entender a dinâmica do jogo e perceber o ambiente comunitário que acompanha a modalidade.
A estrutura montada no local contou com mais de 15 quadras temporárias, incluindo uma quadra central para confrontos de maior destaque. O painel oficial também indicava 16 quadras destinadas aos jogos. Esse volume de quadras foi necessário para comportar a grande quantidade de categorias e partidas distribuídas ao longo dos quatro dias.
O resultado foi um ambiente de festival esportivo: atletas circulando entre jogos, famílias acompanhando as disputas, técnicos orientando duplas, marcas e clubes se conectando com o público e novos praticantes descobrindo o esporte de perto.
Quatro dias de competição intensa
A programação foi distribuída entre quinta-feira e domingo, com categorias organizadas por dia para acomodar a grande quantidade de jogos. O regulamento previa disputas entre 8h e 21h30, com possibilidade de ajustes por necessidades técnicas, operacionais, climáticas, estruturais ou de transmissão.
Na quinta-feira, a programação contemplou categorias como Sub 18 PRO em duplas masculinas, femininas e mistas, além de categorias iniciantes, estreantes, 40+ e 50+ intermediárias. A abertura já deu o tom do campeonato: não era apenas um evento de elite, mas uma competição pensada para envolver diferentes camadas da comunidade.
Na sexta-feira, entraram em cena disputas importantes da base e do alto rendimento, incluindo Sub 18 PRO em simples, Sub 14 PRO em duplas, 50+ PRO em simples, categorias estreantes, 60+ iniciantes e também as disputas de simples PRO masculina e feminina. Foi um dos dias mais relevantes para a leitura técnica do campeonato, especialmente por envolver categorias com possível valor seletivo para a Seleção Brasileira.
No sábado, o destaque ficou para categorias como cadeirantes, 80+, intermediários, avançados, PRO em duplas mistas, 60+ PRO em duplas e Sub 14 PRO em simples. A presença do pickleball em cadeira de rodas foi um dos pontos mais simbólicos da edição, reforçando o potencial inclusivo da modalidade.
No domingo, a programação concentrou categorias fortes como duplas masculinas e femininas PRO, 50+ PRO em duplas, 60+ PRO em simples, além de categorias iniciantes, intermediárias, avançadas e 70+. Foi o encerramento de um campeonato que combinou volume, diversidade e alto nível competitivo.
Formato de disputa e peso técnico
O regulamento oficial definiu formatos específicos para as categorias PRO e categorias com valor seletivo. As disputas Sub 14 PRO, Sub 18 PRO, PRO, 50+ PRO e 60+ PRO foram organizadas com fase de grupos, chaveamento eliminatório, jogos em um game, sistema de pontuação tradicional com chamada 0-0-2 e games de 15 pontos.
Essas categorias foram tratadas com importância técnica especial, pois poderiam servir como referência para a formação da Seleção Brasileira de Pickleball visando o Campeonato Mundial em Da Nang, no Vietnã. Esse detalhe elevou o nível de pressão e relevância das partidas, já que o Brasileirão não representava apenas a disputa por medalhas nacionais, mas também uma oportunidade de projeção internacional.
Para as demais categorias técnicas e por idade, o regulamento também previa fase de grupos, chaveamento eliminatório, jogos em um game e games de 15 pontos, com sistema de pontuação em rally e sem ponto de congelamento. A lógica permitiu organizar um grande volume de confrontos, preservando competitividade e fluidez no cronograma.
A fase de grupos classificava preferencialmente os melhores atletas ou duplas para a fase eliminatória. Nas fases decisivas, o confronto único aumentava o peso de cada partida. Em um esporte de rallies curtos, leitura rápida e muitas trocas de ritmo, esse formato criou jogos de alta intensidade, nos quais concentração e tomada de decisão fizeram diferença.
Categorias para todos os perfis de atleta
Um dos grandes diferenciais do Brasileirão de Pickleball 2026 foi a diversidade de categorias. O campeonato não se limitou ao alto rendimento. Ao contrário, reuniu uma pirâmide completa de participação, com espaço para crianças, jovens, adultos, atletas masters, estreantes, iniciantes, intermediários, avançados, profissionais e cadeirantes.
Na base, houve categorias Kids Sub 12, Sub 14 e Sub 18, tanto em disputas livres quanto PRO. Esse é um ponto essencial para o desenvolvimento do pickleball brasileiro. Uma modalidade que deseja crescer de forma sustentável precisa criar referências desde cedo, permitindo que jovens atletas tenham calendário, adversários, rankings e objetivos competitivos.
Entre os adultos, as categorias por nível técnico permitiram que atletas em diferentes estágios de evolução participassem do mesmo evento sem perder equilíbrio competitivo. Estreantes e iniciantes tiveram espaço para viver a experiência de um campeonato nacional, enquanto intermediários e avançados puderam medir evolução em ambiente mais exigente.
Nas categorias PRO, o torneio reuniu alguns dos principais nomes do país. As disputas de simples, duplas masculinas, duplas femininas e duplas mistas ajudaram a desenhar o atual cenário do alto rendimento brasileiro, especialmente em um ano de Mundial.
As categorias masters também tiveram destaque, com disputas em 40+, 50+, 60+, 70+ e até 80+. Esse é um dos pontos mais fortes do pickleball como produto esportivo: ele consegue unir longevidade, competitividade e sociabilidade. Em uma mesma edição, jovens atletas e competidores acima dos 70 anos dividiram a atmosfera de campeonato nacional.
Inclusão como uma das marcas do evento
A inclusão foi um dos temas mais relevantes do Brasileirão 2026. A competição contou com grande participação feminina e presença de atletas cadeirantes, algo que reforça o potencial social do pickleball.
Segundo dados divulgados pela imprensa, 1.022 inscrições eram de mulheres, número que representa quase metade do total anunciado. Em um cenário esportivo no qual muitas modalidades ainda enfrentam dificuldade para equilibrar participação masculina e feminina, esse dado é especialmente importante.
O torneio também teve 18 atletas cadeirantes, com disputas específicas e presença adaptada dentro da programação. A participação do pickleball em cadeira de rodas amplia o significado do evento, porque mostra que o crescimento da modalidade pode caminhar junto com acessibilidade e representatividade.
Essa diversidade ajuda a explicar por que o pickleball cresce tão rápido. Ele é competitivo o suficiente para atrair atletas de alto rendimento, mas acessível o bastante para receber novos praticantes, pessoas mais velhas, famílias e atletas adaptados. Poucos esportes conseguem reunir tantos perfis em um mesmo ambiente competitivo com tanta naturalidade.
O Brasileirão como seletiva para o Mundial no Vietnã
Um dos pontos mais importantes da edição foi a conexão direta com o cenário internacional. O regulamento do Campeonato Brasileiro indicava que categorias como Sub 14 PRO, Sub 18 PRO, PRO, 50+ PRO e 60+ PRO poderiam ser utilizadas como referência para a formação da Seleção Brasileira de Pickleball.
O objetivo era observar atletas brasileiros em categorias estratégicas visando o Mundial de Pickleball em Da Nang, no Vietnã. A competição internacional está programada para acontecer entre 30 de agosto e 6 de setembro de 2026 e será um marco para o esporte, já que representa a chegada da Copa do Mundo de Pickleball ao continente asiático.
Para os atletas brasileiros, isso transformou o Brasileirão em uma oportunidade dupla. Além da busca pelo título nacional, havia a possibilidade de ganhar visibilidade técnica para representar o país. Essa lógica é fundamental para profissionalizar a modalidade, pois cria uma conexão clara entre calendário nacional, ranking, performance e seleção.
Quando um Campeonato Brasileiro passa a ter valor de observação para competições internacionais, o atleta ganha incentivo para treinar melhor, planejar temporada, buscar apoio, investir em equipamentos e competir com mais seriedade. Para o mercado, isso também cria narrativas mais fortes para marcas, clubes e patrocinadores.
Destaques esportivos da edição
Entre os nomes mais comentados da edição, as publicações pós-evento destacaram a força de Marcela Donatoni e Hugo Dojas, dois atletas que vêm se consolidando como referências da modalidade no Brasil. A presença dos dois no centro das narrativas reforça a formação de ídolos nacionais, algo indispensável para que o pickleball conquiste novos públicos.
Hugo Dojas apareceu em conteúdos públicos como campeão da Simples Masculina PRO e também como campeão da Duplas Masculina PRO ao lado de Caio Silva. Esse tipo de resultado fortalece sua imagem como um dos principais nomes do alto rendimento brasileiro.
Marcela Donatoni também foi tratada como uma das grandes protagonistas do campeonato, com publicações destacando sua hegemonia e sua convocação para o Mundial. Em uma modalidade ainda em construção no país, atletas com presença competitiva constante têm papel importante para inspirar novos praticantes, especialmente entre mulheres e jovens.
Na base, um dos nomes mais citados foi JP Agulha, destacado em publicações pós-evento pela tríplice coroa na Sub 18. Esse é um sinal muito positivo para o futuro da modalidade. Quando atletas jovens começam a construir resultados expressivos em campeonatos nacionais, o esporte ganha perspectiva de continuidade e renovação.
Nas categorias masters, Egberto Caldas e Gleidson Lima também apareceram entre os destaques ligados ao 50+ PRO. A força das categorias acima de 50 e 60 anos é um ativo relevante para o pickleball brasileiro, pois mostra que o esporte consegue manter alto nível técnico em diferentes faixas etárias.
Mais do que resultados: comunidade, mercado e cultura esportiva
O legado do Campeonato Brasileiro de Pickleball 2026 vai além dos pódios. O evento mostrou que existe uma comunidade nacional em formação, com atletas viajando de diferentes estados, clubes buscando protagonismo, marcas interessadas em ativação, famílias acompanhando competidores e novos públicos descobrindo a modalidade.
Esse tipo de encontro é decisivo para transformar um esporte em cultura. Uma modalidade não cresce apenas com quadras abertas ou vídeos nas redes sociais. Ela cresce quando cria calendário, histórias, rivalidades, personagens, eventos de referência e experiências presenciais marcantes.
O Brasileirão no Villa-Lobos cumpriu exatamente esse papel. Ele ofereceu um grande palco para o esporte, aproximou praticantes de diferentes regiões, colocou atletas iniciantes ao lado de nomes de elite e mostrou ao público que o pickleball pode ser competitivo, social, inclusivo e comercialmente atrativo.
Para clubes e arenas, o campeonato funcionou como termômetro de mercado. A quantidade de categorias e participantes indica demanda por mais quadras, aulas, torneios regionais, clínicas, eventos corporativos e produtos especializados. Para marcas, o evento mostrou uma comunidade engajada e em expansão, com alto potencial de relacionamento.
Para atletas, foi uma oportunidade de construir reputação. Em modalidades emergentes, cada grande evento tem peso especial, porque ajuda a formar os primeiros nomes reconhecidos pelo público. Quem se destaca agora pode se tornar referência nacional nos próximos ciclos.
Um marco para o pickleball brasileiro
O Campeonato Brasileiro de Pickleball 2026 no Parque Villa-Lobos entra para a história como um dos eventos mais importantes da modalidade no país. A edição reuniu escala, diversidade, estrutura, competitividade e projeção internacional em um mesmo ambiente.
Com categorias para diferentes idades e níveis, presença feminina expressiva, atletas cadeirantes, base em desenvolvimento, masters competitivos e conexão com o Mundial do Vietnã, o torneio mostrou que o pickleball brasileiro está deixando de ser promessa para se tornar realidade organizada.
O evento também reforçou uma mensagem importante: o crescimento do pickleball no Brasil não depende apenas da curiosidade em torno de um esporte novo. Ele depende da construção de uma comunidade forte, de eventos bem estruturados, de atletas reconhecíveis, de clubes ativos e de marcas dispostas a investir no desenvolvimento da modalidade.
No Villa-Lobos, o pickleball brasileiro ganhou visibilidade, volume e narrativa. E, talvez mais importante do que isso, ganhou a sensação de que está entrando em uma nova fase. Uma fase em que o esporte passa a disputar espaço no calendário, na mídia, nos clubes, nas escolas, nas redes sociais e no imaginário dos novos praticantes.
O Brasileirão de 2026 foi mais do que um campeonato. Foi uma vitrine do presente e uma amostra clara do futuro que o pickleball pode construir no Brasil.



