Copa Master Patrícia Medrado consolida força do pickleball sênior e abre caminho para novas competidoras no Brasil
Com pontuação PKB 500, categorias 40+, 50+, 60+ e 70+, presença simbólica de uma das maiores atletas da história do esporte brasileiro e uma novidade voltada às mulheres estreantes, torneio realizado na Arena PicklePlay reforça o amadurecimento competitivo do pickleball paulista.
A Copa Master Patrícia Medrado chegou ao calendário do pickleball brasileiro com um peso que vai além das partidas. Realizada nos dias 27 e 28 de junho, na Arena PicklePlay, em São Paulo, a competição nasceu com uma proposta clara: valorizar o circuito master, movimentar atletas das categorias 40+, 50+, 60+ e 70+, distribuir pontos importantes para o ranking da Federação Paulista de Pickleball e, ao mesmo tempo, criar uma porta de entrada para novas jogadoras. O torneio apareceu no sistema Pickleball Integrado como evento criado pela FPP e vinculado ao Ranking Seniors 2026, com chancela de pontuação PKB 500.
O selo PKB 500 deu ao torneio uma relevância esportiva especial. Em vez de ser apenas um encontro recreativo entre praticantes, a Copa Master Patrícia Medrado passou a valer diretamente para atletas que acompanham ranking, buscam regularidade no circuito e constroem trajetória competitiva dentro do pickleball. A pontuação máxima informada para o campeão é de 500 pontos, com 350 pontos para vice-campeões e pontuação progressiva conforme avanço nas fases.
Um torneio que entendeu o momento do pickleball brasileiro
O pickleball vive no Brasil uma fase de expansão acelerada, mas ainda está construindo sua cultura competitiva. Por isso, eventos como a Copa Master Patrícia Medrado cumprem um papel importante. Eles organizam a base de atletas, criam calendário, geram ranking, dão visibilidade a novas histórias e ajudam a transformar praticantes de aula, clínica e jogos sociais em competidores de circuito.
Nesta edição, o torneio teve um recorte muito inteligente: o público master. As categorias oficiais divulgadas contemplaram atletas 40+, 50+, 60+ e 70+, nos formatos feminino, masculino e misto, reforçando uma das características mais fortes do pickleball: a capacidade de manter pessoas competitivas, ativas e socialmente conectadas em diferentes fases da vida.
Esse ponto é central. O pickleball não cresce apenas por ser fácil de começar. Ele cresce porque oferece progressão. O atleta entra por diversão, encontra uma comunidade, melhora tecnicamente, começa a competir e passa a enxergar o esporte como parte da rotina. A Copa Master Patrícia Medrado se encaixa exatamente nesse ciclo.
A grande novidade: 40+ Feminina Estreante
Um dos movimentos mais fortes da edição foi a criação da categoria 40+ Feminina Estreante, voltada a mulheres que disputariam sua primeira competição. Essa escolha não é apenas uma novidade de programação, mas uma decisão estratégica para o crescimento da modalidade. A divulgação oficial destacou a categoria como um espaço criado para quem sempre teve vontade de competir, mas ainda não havia dado o primeiro passo.
Na prática, essa categoria resolve um problema real do esporte amador: a barreira da estreia. Muitas atletas treinam, jogam socialmente, gostam da modalidade, mas travam na hora de se inscrever em um torneio por medo de enfrentar jogadoras mais experientes, não saber exatamente as regras ou sentir que ainda não estão prontas.
A categoria 40+ Feminina Estreante cria um ambiente mais acolhedor, reduz a ansiedade da primeira competição e amplia a base feminina do circuito. Para o pickleball brasileiro, isso é muito valioso. Um esporte cresce de verdade quando cria caminhos para quem já compete e, ao mesmo tempo, abre portas para quem ainda está chegando.
O peso do nome Patrícia Medrado
Dar o nome de Patrícia Medrado ao torneio não é apenas uma homenagem. É uma escolha que conecta história, excelência e longevidade esportiva.
Patrícia Medrado foi uma das maiores tenistas brasileiras de todos os tempos. Apaixonada pelo tênis desde os 10 anos, foi número 1 do Brasil por 11 anos consecutivos, medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos de 1975, na Cidade do México, ex-número 48 do mundo em simples e ex-número 9 do mundo em duplas. Também é reconhecida como a jogadora com mais participações e vitórias pelo Brasil na Fed Cup, atual Billie Jean King Cup.
No circuito master, sua trajetória seguiu impressionante. Em janeiro de 2026, a Câmara Municipal de São Paulo destacou que Patrícia é heptacampeã mundial master em simples e soma outros sete títulos mundiais em duplas e dois em duplas mistas.
A conexão com o pickleball também é recente e poderosa. Em 2025, Patrícia Medrado e Deborah Gebara conquistaram o título do US National de Pickleball, na faixa 60+, nível 5.0, em San Diego. Segundo o TenisBrasil, elas receberam convite para disputar o torneio depois de vencerem uma competição em Fort Lauderdale e terminaram a campanha vencendo todos os jogos por 2 a 0.
Por isso, a Copa Master Patrícia Medrado carrega uma narrativa muito forte: uma atleta histórica do tênis brasileiro, ainda competitiva no esporte master, agora associada ao crescimento do pickleball nacional.
Resultados e destaques localizados
Embora o quadro oficial completo de campeões ainda não tenha aparecido de forma consolidada em fonte aberta, alguns resultados publicados e indexados no sistema Pickleball Integrado já ajudam a mostrar o nível de disputa da competição.
Na categoria 40+ Feminina Estreante, um dos grandes símbolos do torneio, aparecem resultados envolvendo duplas como Giovana Balhestero e Alessandra D’Antonio, Mika Ishii e Rogeria Dias, Giseli Lima e Lucia Santos, além de outras atletas que disputaram a fase final da categoria. Um dos registros localizados indica vitória de Giovana Balhestero e Alessandra D’Antonio sobre Mika Ishii e Rogeria Dias por 15 a 9, em partida da DFES40.
Nas duplas masculinas, também aparecem resultados de categorias master com nomes como André Apasse e Armando Junior, registrados em vitórias nas categorias 40+ e 50+, além de partidas envolvendo Luiz Croce e Hilton Gomes na 60+ e Julio Crivellente e Fernando Eltz na 70+.
Entre as duplas femininas, os registros públicos também apontam jogos com Renata Seabra, Fernanda Barone, Isabel Vitorino, Maria Carneiro, Marise Marcondes e Edna Souza, mostrando diversidade de atletas e categorias dentro do torneio.
Esses resultados reforçam o principal ponto esportivo da Copa: a competição conseguiu movimentar diferentes faixas etárias, níveis de experiência e formatos de disputa, com jogos que não ficaram restritos a uma única categoria de destaque.
Formato competitivo favoreceu ritmo intenso
O regulamento da Copa Patrícia Medrado ajuda a explicar por que os jogos tendem a ser rápidos, diretos e com pouca margem para erro. Em todas as categorias, o formato previsto era de grupos, com os dois melhores colocados avançando para a fase seguinte. As partidas foram programadas em set único de 15 pontos, sempre com vantagem mínima de dois pontos, inclusive em semifinais e finais.
Esse modelo deixa a competição mais dinâmica e aumenta a pressão desde o primeiro jogo. Em uma partida curta, começar mal pode custar caro. Não há muito tempo para adaptação, e duplas que conseguem impor ritmo, comunicação e consistência logo nos primeiros pontos tendem a ganhar vantagem.
Outro detalhe importante do regulamento foi o controle de tempo. Os jogos poderiam começar a partir das 8h, o aquecimento não poderia ultrapassar três minutos, e cada dupla teria direito a um tempo técnico de até dois minutos durante a partida.
Para eventos master, esse tipo de organização é fundamental. Ele permite previsibilidade de agenda, reduz atrasos e melhora a experiência de atletas que muitas vezes disputam mais de uma categoria no mesmo fim de semana.
De Copa Patrícia Medrado a Copa Master
A edição de 2026 também representa uma evolução de identidade. A Copa Patrícia Medrado já havia aparecido no calendário paulista em 2024, quando foi realizada na Arena Bola Furada, no Alto da Boa Vista, em São Paulo, após cinco dias de competição. Naquele ano, o TenisBrasil registrou a presença da homenageada, o ambiente de energia e competitividade saudável, além de uma loja temática da JOOLA com raquetes e acessórios à disposição dos atletas.
Agora, a versão Master concentra a narrativa em um público específico e muito relevante para o crescimento do esporte. Em vez de tentar abraçar todas as categorias ao mesmo tempo, a competição passa a construir uma identidade própria, voltada à longevidade esportiva, à disputa por ranking e à valorização de atletas que seguem competindo em alto nível depois dos 40, 50, 60 e 70 anos.
Esse recorte é forte porque o pickleball tem uma vantagem competitiva clara em relação a outras modalidades de raquete: ele permite entrada tardia, progressão técnica rápida e continuidade competitiva por muitos anos. A Copa Master Patrícia Medrado traduz isso em evento.
O que a Copa comunica para o mercado
Do ponto de vista de marketing esportivo, a Copa Master Patrícia Medrado é um produto muito bem posicionado. Ela tem nome forte, público definido, apelo comunitário, conexão com saúde e longevidade, presença feminina, ranking oficial e potencial de conteúdo.
Para marcas, clubes e patrocinadores, esse tipo de torneio oferece uma narrativa muito mais rica do que apenas exposição de logo. Ele fala com um público consumidor ativo, engajado, com poder de compra e com alta identificação com experiências esportivas. Além disso, o público master costuma valorizar equipamentos de qualidade, aulas, clínicas, eventos organizados, viagens esportivas e convivência social.
A presença da JOOLA em edições anteriores e a divulgação da Copa no ecossistema de pickleball reforçam esse potencial. Em 2024, a Copa Patrícia Medrado já teve uma loja temática da marca durante o evento, colocando produtos à disposição dos atletas.
Para o pickleball brasileiro, esse é um caminho promissor: transformar torneios em experiências completas, com competição, conteúdo, comunidade, ativações, produtos e histórias humanas.
Uma Copa sobre competição, memória e pertencimento
A Copa Master Patrícia Medrado não deve ser lida apenas como mais uma etapa do calendário. Ela representa uma combinação rara de elementos que ajudam uma modalidade a crescer: competição oficial, pontuação em ranking, homenagem a uma referência histórica, incentivo à participação feminina e valorização do atleta master.
O torneio mostra que o pickleball brasileiro está amadurecendo. Há espaço para eventos profissionais, categorias abertas, torneios iniciantes, competições por ranking e, principalmente, recortes específicos que criam identidade própria. A Copa Master Patrícia Medrado ocupa exatamente esse lugar.
Ao reunir atletas 40+, 50+, 60+ e 70+, e ao abrir uma categoria especial para mulheres estreantes, o evento deixa uma mensagem importante: competir não é apenas para quem começou cedo. Também é para quem decidiu continuar, voltar, experimentar ou descobrir uma nova forma de viver o esporte.
Com o nome de Patrícia Medrado à frente, essa mensagem ganha ainda mais força. Afinal, poucas trajetórias representam tão bem a ideia de que a vida esportiva não termina com o fim da carreira profissional. Ela pode se transformar, ganhar novas quadras, novos adversários, novos formatos e, como mostrou a Copa Master, novos capítulos para o pickleball brasileiro.



