Ouro com história: Emiko Moreira e Marlene Takahashi levam o Brasil ao topo do Mundial Master de Tênis de Mesa em Gangneung

Ouro com história: Emiko Moreira e Marlene Takahashi levam o Brasil ao topo do Mundial Master de Tênis de Mesa em Gangneung

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Ouro com história: Emiko Moreira e Marlene Takahashi levam o Brasil ao topo do Mundial Master de Tênis de Mesa em Gangneung

Na Coreia do Sul, dupla brasileira vence a categoria feminina 80+ e transforma o ITTF World Masters Championships Gangneung 2026 em mais um capítulo marcante da tradição nipo-brasileira no tênis de mesa

O Brasil encerrou sua participação no ITTF World Masters Table Tennis Championships Gangneung 2026 com um resultado de enorme peso simbólico e esportivo: Emiko Moreira e Marlene Takahashi foram campeãs mundiais nas duplas femininas acima de 80 anos, colocando o país no topo do pódio em uma das categorias mais emblemáticas do torneio. A competição foi realizada entre 5 e 12 de junho, no Parque Olímpico de Gangneung, na Coreia do Sul, reunindo atletas masters a partir dos 40 anos e delegações de mais de 100 países e territórios.

A campanha brasileira teve seu ponto alto na final das duplas femininas 80+, quando Emiko e Marlene superaram as japonesas Kaoru Kojima e Kinuyo Yamamiya por 3 sets a 1, com parciais de 11/5, 10/12, 14/12 e 11/5. Antes disso, na semifinal, a dupla do Brasil já havia passado por outra parceria japonesa, formada por Yasuko Namura e Fusako Tsutajima, também por 3 sets a 1.

A conquista ganha ainda mais força quando se observa a trajetória das duas atletas. Emiko Moreira e Marlene Takahashi não são apenas campeãs mundiais masters. Elas fazem parte de uma geração que ajudou a construir, manter e transmitir a cultura competitiva do tênis de mesa brasileiro, especialmente dentro de clubes, colônias, torneios nipo-brasileiros e projetos de formação.

O Mundial Master de Gangneung

O torneio de Gangneung fez parte das celebrações do centenário da ITTF e foi disputado em instalações do complexo olímpico da cidade, incluindo a Gangneung Arena e o Gangneung Speed Skating Rink. A CBTM informou que o evento reuniu mais de 2.477 atletas, de mais de 100 países e territórios, em uma competição voltada a atletas masters, com categorias por idade a partir dos 40 anos.

A delegação brasileira foi anunciada pela CBTM com 32 atletas, embora a lista nominal publicada pela entidade some 31 nomes. Os nomes divulgados foram: Emiko Moreira, Marcel Shiomi, Leandro Abe, Miguel Dyna, Luis Oyama, Natalia Pereira, Yuquie Honda, André Souza, Fábio Mizutani, Robinson Nakamura, Moacir Figueiredo, Frank Iwashita, Thaís Vilhena, Larissa Tassi, Roseli Sasaki, Marlene Takahashi, Cid Furuyama, Michel Aman, Marcio Sasaki, Paulo Hirano, Maria Portela, Jorge Torres, Renato Simões, Gustavo Ogata, Roberto Zangali, Aloisio Nakashima, Maria Cristina Honda, Angela Jimenez, Edna Otsuki, Sueli Oyama e Roseli Ramirez.

A campanha brasileira

O Brasil começou o Mundial com boa presença nas chaves eliminatórias. De acordo com a CBTM, 14 brasileiros avançaram à segunda fase nas disputas individuais: Emiko Moreira, Marcel Shiomi, Leandro Abe, Miguel Dyna, Luis Oyama, Natália Pereira, Fábio Mizutani, Moacir Figueiredo, Frank Iwashita, Marlene Takahashi, Cid Furuyama, Márcio Sasaki, Gustavo Ogata e Roberto Zangali.

Nas duplas, o país também teve bons resultados. Avançaram na chave principal as parcerias Cid Furuyama e Fábio Mizutani, Frank Iwashita e Márcio Sasaki, Thaís Vilhena e Larissa Tassi, além de Emiko Moreira e Marlene Takahashi. Também seguiram em suas respectivas chaves Miguel Dyna, ao lado do costa-riquenho Alan Calvo, e Gustavo Ogata, em parceria com Galindev, da Mongólia.

Na reta final do torneio, a CBTM destacou quatro campanhas brasileiras ou com atletas brasileiros chegando às semifinais, incluindo a dupla Emiko e Marlene nas duplas femininas 80+. Marlene também avançou na chave individual feminina 85+, categoria em que terminou com a medalha de prata.

Além do ouro principal, o Brasil teve outros pódios importantes. Marlene Takahashi foi vice-campeã mundial no individual feminino 85+, após vencer a japonesa Noriko Watanabe na semifinal e ser superada na decisão pela chinesa Wang Shuhua. Na fase de consolação, Marcel Shiomi e Roberto Zangali foram campeões nas duplas masculinas 40+, enquanto Roseli Sasaki ficou em segundo lugar na Consolation 45+.

Emiko Moreira, uma das grandes referências do tênis de mesa brasileiro

Emiko Moreira, também registrada em fontes históricas como Emiko Takatatsu L. Moreira, aparece há décadas como uma das principais personagens do tênis de mesa brasileiro. Em reportagem histórica da CBTM, ela é apresentada como uma das maiores jogadoras do país, com uma carreira marcada por três títulos sul-americanos, quatro títulos brasileiros, 14 títulos estaduais em São Paulo e mais de 16 anos defendendo a Seleção Brasileira.

Sua ligação com a modalidade vem desde a infância. Segundo a mesma fonte, Emiko começou a jogar aos 11 anos, influenciada pelos pais, em uma trajetória que atravessou gerações e que continuou ativa no circuito master. A presença dela em Gangneung mostra justamente essa continuidade: uma atleta que já havia sido referência no alto rendimento nacional e que, décadas depois, segue competindo em nível mundial.

Emiko também é lembrada em publicações ligadas ao cenário nipo-brasileiro do tênis de mesa como presença constante em competições da Liga Nipo Brasileira, ambiente historicamente importante para a formação, manutenção competitiva e convivência entre gerações de mesa-tenistas no Brasil.

Marlene Takahashi, professora, formadora e campeã

Se Emiko representa a continuidade de uma atleta que marcou a Seleção Brasileira, Marlene Takahashi simboliza outro pilar essencial do esporte: a formação. Nascida em Jacareí, em 27 de abril de 1940, Marlene construiu sua história principalmente em Suzano, cidade com a qual tem vínculo profundo desde a infância.

Marlene começou no tênis de mesa aos 8 anos e transformou a modalidade em uma vida inteira de dedicação. Em sua trajetória, aparecem passagens como professora e técnica da Prefeitura Municipal de Suzano, do Kosmos Clube, em Mogi das Cruzes, e, posteriormente, da ACEAS Nikkey e do Colégio Cenibras, instituições ligadas diretamente à formação de atletas e à preservação da cultura do tênis de mesa na região.

A dimensão de sua carreira é impressionante. Marlene acumula títulos em competições nacionais, regionais e internacionais, com destaque para conquistas no Intercolonial Brasileiro, nos Jogos Regionais, nos Jogos Abertos e em eventos masters disputados em diversos países. Em 2026, no 75º Intercolonial realizado na ACEAS Nikkey, ela ampliou seu recorde para 26 títulos no Intercolonial, um feito que reforça seu lugar entre as grandes referências da modalidade.

Sua conquista em Gangneung tem, portanto, um peso que vai além da medalha. Marlene não apenas venceu no Mundial. Ela subiu ao pódio como atleta e como personagem histórica de uma rede de clubes, escolas, famílias e torneios que sustentam o tênis de mesa brasileiro fora dos holofotes do circuito profissional.

O ouro nas duplas 80+ e o valor simbólico da conquista

A final contra as japonesas Kaoru Kojima e Kinuyo Yamamiya teve todos os elementos de uma decisão de alto nível master: experiência, leitura de jogo, controle emocional e capacidade de adaptação. Depois de vencerem o primeiro set por 11/5, Emiko e Marlene perderam o segundo por 10/12. O terceiro set, vencido por 14/12, foi o ponto de virada da decisão. No quarto, a dupla brasileira retomou o controle e fechou em 11/5.

A campanha também reforça uma conexão histórica entre Brasil e Japão no tênis de mesa. Emiko e Marlene, duas atletas de origem nipo-brasileira e trajetória marcada por clubes e competições da comunidade, conquistaram o mundo justamente em uma final contra o Japão, país que tem enorme tradição na modalidade. O resultado simboliza uma ponte esportiva e cultural que há décadas movimenta o tênis de mesa brasileiro.

Outros brasileiros em destaque

Marcel Shiomi foi um dos nomes fortes da delegação. Em Gangneung, avançou na chave individual e, ao lado de Roberto Zangali, conquistou o título da fase de consolação nas duplas masculinas 40+. Marcel também já havia se destacado no Mundial Master de Roma 2024, quando foi campeão da Consolation no individual 40+.
Roberto Zangali também teve participação relevante. Além de avançar no individual em Gangneung, formou com Marcel Shiomi a dupla campeã da Consolation 40+. Em 2024, Roberto já havia conquistado ouro na fase de consolação das duplas mistas no Mundial Master de Roma, ao lado de Larissa Lobato.

Roseli Sasaki chegou ao vice-campeonato na Consolation 45+, somando mais um pódio para o Brasil no encerramento do torneio.
Natália Pereira foi uma das brasileiras que avançaram à segunda fase no individual. No cenário nacional, aparece como campeã da categoria Veterano 70 no TMB Platinum de 2022, representando o Sport Club Recife.
Gustavo Ogata avançou no individual e também seguiu em duplas ao lado de Galindev, da Mongólia. Seu nome aparece ligado à tradição do Itaim Keiko, clube histórico de São Paulo que formou atletas de Seleção Brasileira e nomes importantes do tênis de mesa nacional.
Moacir Figueiredo também avançou à segunda fase no individual e representou a AABB Fortaleza no Mundial Master. A entidade cearense destacou sua participação e o trabalho do técnico Alexandre Monteiro, o Leleu, que acompanhou atletas brasileiros na competição.
Cid Furuyama e Fábio Mizutani avançaram juntos nas duplas masculinas, além de ambos integrarem o grupo brasileiro de atletas que passaram pela fase inicial em suas respectivas disputas.
Frank Iwashita e Márcio Sasaki também avançaram nas duplas masculinas e figuraram entre os brasileiros que passaram de fase no individual.
Thaís Vilhena e Larissa Tassi avançaram nas duplas femininas, enquanto Thaís também apareceu na disputa de duplas mistas da fase de consolação ao lado de Roberto Zangali

Um título que fala sobre legado

A conquista de Emiko Moreira e Marlene Takahashi em Gangneung não pode ser lida apenas como um resultado de torneio. É uma vitória que resume décadas de prática, formação, viagens, clubes, famílias e comunidades.

No tênis de mesa master, cada atleta carrega uma biografia. No caso das campeãs brasileiras, essa biografia se mistura com a história do esporte no Brasil. Emiko, com sua passagem de mais de 16 anos pela Seleção Brasileira e uma coleção de títulos nacionais e continentais. Marlene, com sua trajetória como atleta, professora e referência de formação em Suzano e Mogi das Cruzes. Juntas, elas fizeram do Mundial Master de Gangneung uma celebração do presente, mas também uma homenagem viva à memória do tênis de mesa brasileiro.