Irmãos Harimoto fazem história em Yokohama e reforçam força do Japão diante da China
Tomokazu e Miwa conquistam os títulos masculino e feminino do WTT Champions Yokohama 2026 e se tornam os primeiros irmãos campeões de uma mesma edição do circuito
Foto.: Reprodução/ppsport
O WTT Champions Yokohama 2026 terminou com uma imagem histórica para o tênis de mesa japonês. Diante da torcida local, Tomokazu Harimoto e Miwa Harimoto ergueram os troféus das competições masculina e feminina, respectivamente, e colocaram a mesma família no topo das duas disputas individuais.
A conquista transformou Tomokazu, de 23 anos, e Miwa, de apenas 18, nos primeiros irmãos a vencer os dois títulos de uma mesma edição de um torneio WTT Champions.
Mais do que uma celebração familiar, a dobradinha representa um novo sinal da força do Japão no cenário internacional. Em um evento com grandes nomes da China, Coreia do Sul e Europa, os anfitriões encerraram a competição com os dois troféus mais importantes.
Tomokazu confirma favoritismo e defende o título
Na decisão masculina, Tomokazu Harimoto enfrentou o sul-coreano Oh Junsung, uma das principais revelações da nova geração asiática.
O japonês começou atrás no placar após perder a primeira parcial por 11 a 7. A resposta, no entanto, foi imediata. Harimoto assumiu o controle da partida, venceu os quatro games seguintes e confirmou o título por 4 sets a 1, com parciais de 7 a 11, 11 a 7, 11 a 4, 11 a 8 e 11 a 7.
O resultado também permitiu que Tomokazu defendesse o título conquistado em Yokohama na temporada anterior. Em 2025, ele havia superado o chinês Wang Chuqin na final. Agora, voltou a vencer diante da torcida japonesa e consolidou uma relação especial com o torneio.
Sua campanha também reforça o papel do Japão entre as principais potências do tênis de mesa masculino. Durante muitos anos, o país apresentou atletas capazes de desafiar os chineses em partidas isoladas. A geração atual, porém, demonstra maior profundidade e regularidade para disputar títulos ao longo de toda a temporada.
Miwa supera duas chinesas e conquista o segundo Champions do ano
No feminino, Miwa Harimoto completou a festa da família com uma campanha ainda mais simbólica.
A japonesa derrotou a chinesa Wang Yidi por 4 a 2 na semifinal e avançou para enfrentar Chen Xingtong, então campeã de Yokohama, na grande decisão.
Miwa venceu a final também por 4 sets a 2, com parciais de 13 a 11, 11 a 7, 9 a 11, 11 a 9, 1 a 11 e 11 a 7. Mesmo depois de sofrer uma derrota por 11 a 1 no quinto game, a jovem manteve a concentração e fechou o confronto na parcial seguinte.
A conquista foi seu segundo título de WTT Champions em 2026. Em março, Miwa já havia vencido o WTT Champions Chongqing, disputado em território chinês, ao superar Kuai Man em uma final de sete games.
Naquela ocasião, ela se tornou a atleta mais jovem da história a conquistar um título de WTT Champions. Poucos meses depois, voltou ao lugar mais alto do pódio, desta vez em casa e novamente diante de uma adversária chinesa.
A sequência confirma que Miwa deixou de ser apenas uma promessa. Aos 18 anos, a japonesa já se estabeleceu como uma das principais candidatas aos maiores títulos do circuito mundial.
Japão amplia pressão sobre a hegemonia chinesa
A China continua sendo a maior potência da história do tênis de mesa e mantém um elenco com enorme qualidade técnica. Yokohama, entretanto, mostrou novamente que vencer os principais torneios internacionais deixou de ser uma exclusividade chinesa.
No feminino, Miwa precisou superar duas representantes da China nas rodadas decisivas. No masculino, nenhum jogador chinês chegou à final, que colocou frente a frente Japão e Coreia do Sul.
Esse cenário faz parte de uma transformação mais ampla. Japão, França, Suécia, Coreia do Sul, Alemanha e outros países passaram a apresentar atletas com condições reais de vencer os principais nomes chineses e disputar títulos nas categorias mais importantes da WTT.
O Japão se destaca especialmente pela combinação entre experiência e juventude. Além dos irmãos Harimoto, o país conta com nomes como Sora Matsushima, Hina Hayata, Miu Hirano, Miyuu Kihara e Tomokazu Togami, formando um dos grupos mais completos do circuito internacional.
A dobradinha conquistada em Yokohama não representa o fim da superioridade chinesa, mas confirma que a distância para os principais adversários está diminuindo. Nos grandes torneios, as margens se tornaram menores e os resultados cada vez menos previsíveis.
Um cenário que também interessa ao Brasil
A maior abertura no topo do tênis de mesa mundial também tem impacto direto para o público brasileiro.
Hugo Calderano já demonstrou que possui nível para vencer os principais jogadores do circuito e disputar os maiores títulos da temporada. Em um cenário com mais países ameaçando a China, o brasileiro se torna parte central de uma geração que está modificando o equilíbrio internacional da modalidade.
Isso não significa que o caminho tenha ficado mais fácil. Pelo contrário, a quantidade de candidatos aumentou. Além dos chineses, Calderano precisa competir regularmente contra atletas como Tomokazu Harimoto, Truls Möregårdh, Félix Lebrun, Sora Matsushima, Oh Junsung e outros nomes que ocupam as primeiras posições do ranking.
Ao mesmo tempo, a maior diversidade de campeões mostra que existe espaço real para jogadores de diferentes países alcançarem o topo.
O resultado de Yokohama reforça justamente essa percepção. O tênis de mesa mundial continua tendo a China como principal referência, mas os grandes torneios estão mais disputados, mais abertos e menos previsíveis.
Uma noite histórica para a família Harimoto
Ao final da competição, Tomokazu e Miwa dividiram o palco, os troféus e a comemoração diante da torcida japonesa. A imagem dos irmãos campeões resumiu uma noite histórica para a família Harimoto e para o esporte do país.
Tomokazu confirmou sua posição entre os melhores jogadores do mundo. Miwa ampliou uma temporada que já havia começado de maneira histórica. Juntos, eles entregaram ao Japão os dois títulos do WTT Champions Yokohama 2026.
Mais do que uma coincidência familiar, a dobradinha deixou uma mensagem clara para o restante do circuito: o Japão possui atletas, estrutura e profundidade para enfrentar a China e disputar o protagonismo do tênis de mesa mundial.
Fontes: World Table Tennis, decisão masculina do WTT Champions Yokohama e ITTF.



